A Informação / EP 01

De onde vem o sentido de uma resposta de IA?

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EP 01 / Português

Transcrição integral

Você pergunta. A máquina responde. Com sentido. Mas ninguém escreveu sentido dentro dela. Então...

de onde ele veio? Pra responder, siga uma palavra: informação. Ela tem duas partes. O sinal, que viaja. E o significado, que ele carrega.

Por milênios, a gente melhorou o sinal. Agora, as máquinas chegaram ao significado. E isso tem outro nome... inteligência. Vamos voltar.

Bastante. Primeiro problema: a informação some. O som acaba, e a mensagem vai junto. Em Uruk, na Mesopotâmia, uns três mil e duzentos anos antes de Cristo, começaram a marcar contas no barro. Nascia a escrita.

Escrever é isto: fazer a palavra ficar. E nem todo mundo gostou. Quase três mil anos depois, em Atenas, Platão escreve um diálogo em que Sócrates reclama: quem escreve... para de lembrar. Repara na ironia: a gente só sabe disso porque alguém escreveu.

Guarde essa reclamação. Ela volta. Aí o relógio acelera. Mil seiscentos e quatro — tanta palavra escrita, que um dicionário inglês ensina o leitor a usar... a ordem alfabética.

Mil oitocentos e quarenta e três — Ada Lovelace percebe que a máquina de Babbage poderia mexer com símbolos, não só com números. A máquina nunca ficou pronta. A ideia, sim. Agora, a pergunta: e se a mensagem viajasse sem ninguém carregar? Mil oitocentos e quarenta e quatro — Morse liga Washington a Baltimore por um fio.

Mil oitocentos e cinquenta e dois — o fio chega ao Rio. Por que isso importa? O que levava dias passou a levar minutos. Só faltava saber: o que é, exatamente, uma mensagem? Mil novecentos e quarenta e oito.

Claude Shannon responde. "Amanhã o sol nasce." Aprendeu alguma coisa? Nada. "Amanhã neva em Fortaleza."

Isso, sim, é notícia. Informação é surpresa. E a menor surpresa possível? Cara ou coroa. Sim ou não.

Isso é um bit. Mas repara no que ficou de fora. Pra Shannon, tanto faz se a mensagem é um poema ou uma lista de compras. Nas palavras dele, o sentido é irrelevante para o problema de engenharia. Foi assim que aprendemos a mandar qualquer coisa pra qualquer lugar.

Jogando o significado fora. Tenta ler isto... Conseguiu. Porque metade do que a gente escreve é sobra: a língua adivinha o resto. Shannon chamou isso de redundância.

Em mil novecentos e quarenta e nove, um missionário mostrou tambores no rio Congo fazendo isso de propósito: com duas notas, cada palavra ia embrulhada numa frase fixa. Falar demais é o jeito de ser entendido. Mil novecentos e cinquenta e um — Shannon transforma isso num jogo: adivinhar a próxima letra. Guarde esse jogo. Mil novecentos e cinquenta e três — o DNA, a vida escrita em quatro letras.

Mil novecentos e sessenta e um — apagar um bit gasta energia. Informação é física. Mil novecentos e setenta e seis — um biólogo inventa a palavra meme. Sim. Meme é termo de biólogo.

E quando a informação é demais? Mil novecentos e noventa e um, a Web. Dois mil e um, a Wikipédia. Mais texto do que qualquer pessoa conseguiria ler. Sinal, a gente tinha de sobra...

Faltava o significado. Até aqui, essa história está num livro: The Information, de James Gleick, de dois mil e onze. Ele inspira este vídeo. Mas o livro para antes da página mais nova. Lembra do jogo do Shannon?

Você joga todo dia. É o teclado do celular sugerindo a próxima palavra. Agora imagine esse jogo com montanhas de texto. Dois mil e dezessete — o transformer, um jeito de ler a frase inteira de uma vez. Dois mil e vinte e dois — isso chega a todo mundo.

E aí, a parte estranha: pra adivinhar bem a próxima palavra... ajuda muito entender a frase. Então, de volta à pergunta. De onde veio o sentido? De nós.

De cinco mil anos de barro, de fio e de bit. A máquina aprendeu lendo o que a gente escreveu. Sinal. Significado. Inteligência.

E Sócrates diria: isso vai nos fazer parar de lembrar. A pergunta melhor é outra... o que a gente vai fazer com isso? Este foi o primeiro vídeo de uma série de onze. Nos próximos, a gente conta, com calma, cada passo dessa história.

Dos tambores ao bit. Do telégrafo ao DNA. E de como a informação... virou INTELIGÊNCIA. E, no fim, uma pergunta que ninguém sabe responder ainda...

o que falta para a inteligência virar CONSCIÊNCIA? Quem conta essa história é a XMACNA. A gente vive a página mais nova dela: Funcionários Digitais, colocando essa inteligência para trabalhar... sob o seu controle. Segue a XMACNA para acompanhar a série.

A próxima página começa agora. A Informação. Inspirado em The Information, de James Gleick. Leia o livro.